
Algumas viagens começam muito antes da mala estar pronta. Começam numa imagem, numa música, numa cena de estrada, num personagem que decide sair do lugar. Às vezes, basta um filme para reacender aquela vontade de respirar outros ares, ver o mar de perto, caminhar sem pressa e lembrar que a vida também precisa de pausa.
Ubatuba tem muito desse imaginário cinematográfico. É uma cidade que combina estrada, Mata Atlântica, praias, ilhas, cachoeiras, trilhas, cultura caiçara e aquele sentimento raro de estar perto da natureza sem precisar se afastar completamente do conforto. Para quem vive a rotina intensa das grandes cidades, poucos destinos traduzem tão bem essa sensação de mudança de ritmo.
E, antes mesmo de colocar o pé na areia, alguns filmes podem ajudar a entrar nesse clima. Não são necessariamente filmes sobre Ubatuba, mas histórias que despertam o mesmo desejo: sair do automático, atravessar paisagens, olhar o mundo com mais presença e reencontrar o prazer simples de estar em movimento.
Se você está pensando em vir para Ubatuba, ou apenas procurando um sinal para marcar alguns dias de descanso, aqui vão três filmes que combinam com essa viagem.
1. A Vida Secreta de Walter Mitty: para quem precisa sair do automático
“A Vida Secreta de Walter Mitty” é daqueles filmes que parecem conversar diretamente com quem está preso na rotina. Walter é um homem comum, de hábitos discretos, que passa boa parte da vida imaginando aventuras que nunca realiza de fato. Até que uma busca inesperada o leva para longe do escritório, atravessando paisagens grandiosas e situações que ele jamais teria vivido se continuasse apenas sonhando.
O filme inspira porque fala de coragem, mas não daquela coragem barulhenta e heroica. Fala da coragem silenciosa de dar o primeiro passo. De comprar a passagem. De pegar a estrada. De dizer “vamos?” antes que a vida invente mais uma desculpa.
Nesse sentido, Walter Mitty combina muito com uma viagem para Ubatuba. Muitas pessoas chegam aqui depois de semanas corridas, telas demais, trânsito demais, compromissos demais. E, pouco a pouco, a cidade vai ensinando outra cadência. O som dos carros é substituído pelo mar. A pressa dá lugar ao café da manhã sem olhar o relógio. A agenda apertada se dissolve numa caminhada pela orla do Itaguá, numa visita ao Projeto Tamar, numa tarde de praia ou num jantar tranquilo pela Rua Guarani.
Ubatuba convida a sair do modo automático. Não é preciso fazer grandes planos. Às vezes, a melhor parte da viagem está justamente em acordar, olhar o tempo, conversar com quem conhece a cidade e decidir o roteiro do dia com calma. Pode ser uma praia mais central, uma trilha leve, uma cachoeira, uma ilha, uma volta de bicicleta ou simplesmente um banco de frente para o mar.
Assim como no filme, a transformação não precisa ser dramática. Pode ser pequena, íntima, quase imperceptível. Mas ela acontece quando você se permite mudar de cenário. Quando troca o concreto pela Mata Atlântica. Quando deixa o celular um pouco de lado. Quando percebe que ainda existe espaço para surpresa, beleza e contemplação.
Assistir a “A Vida Secreta de Walter Mitty” antes de viajar para Ubatuba é uma forma de entrar nesse estado de espírito: o de quem entende que a vida não precisa ser adiada para depois.
2. Diários de Motocicleta: para entrar no clima da estrada
Toda viagem tem um antes. O momento de arrumar a mala, escolher a rota, conferir a previsão do tempo, imaginar a chegada. Para quem vem de São Paulo, do Vale do Paraíba, do Sul de Minas ou de outras cidades próximas, a ida para Ubatuba já faz parte da experiência. A descida da serra, as curvas, a vegetação ficando mais densa, o ar mudando aos poucos… tudo isso prepara o corpo para outro ritmo.
“Diários de Motocicleta” é um filme sobre estrada, encontros e transformação. A história acompanha dois jovens viajando pela América do Sul, descobrindo não apenas paisagens, mas também pessoas, culturas e realidades diferentes. É um filme que lembra que viajar não é apenas se deslocar de um ponto a outro. Viajar é se abrir para o caminho.
Essa é uma ideia muito bonita para quem vem a Ubatuba. Porque a cidade não se revela inteira de uma vez. Ela aparece em camadas. Primeiro, na estrada. Depois, no verde abundante. Em seguida, no mar entre montanhas. Mais tarde, nos detalhes: uma canoa, uma casa simples, um peixe fresco, uma conversa com um morador, uma praia descoberta sem pressa.
Ubatuba tem mais de uma viagem dentro da mesma viagem. Há a Ubatuba das praias famosas, como Tenório, Praia Grande, Itamambuca e Félix. Há a Ubatuba das praias mais escondidas, que pedem disposição, curiosidade e respeito pela natureza. Há a Ubatuba das cachoeiras, das trilhas, das ilhas e das comunidades tradicionais. Há também a Ubatuba urbana e acolhedora, com cafés, restaurantes, lojinhas, vida cultural e passeios que podem ser feitos a pé, especialmente para quem se hospeda no Itaguá.
“Diários de Motocicleta” inspira porque coloca valor no trajeto. E uma viagem para Ubatuba fica mais bonita quando não é vivida como uma simples fuga, mas como uma travessia. Você sai de um ritmo e entra em outro. Sai do excesso e encontra o essencial. Sai da pressa e redescobre a paisagem.
Para casais, amigos ou viajantes solo, esse filme pode funcionar como um convite para olhar a viagem com mais presença. Não se trata apenas de chegar, fazer check-in e visitar pontos turísticos. Trata-se de perceber o caminho, escutar a cidade, observar o clima, aceitar pequenas mudanças de planos e deixar que a viagem tenha seus próprios desvios.
Em Ubatuba, muitas vezes, os melhores dias são aqueles que não estavam completamente planejados. Uma praia indicada de última hora. Um pôr do sol inesperado. Uma pausa para um café. Um mergulho que se estende. Um jantar que vira conversa longa.
E talvez seja isso que “Diários de Motocicleta” nos ensine tão bem: viajar é permitir que o mundo nos toque.
3. Soul Surfer: para se reconectar com o mar
Ubatuba tem uma relação profunda com o mar. A cidade é conhecida por suas praias, por sua cultura caiçara e também por sua forte ligação com o surfe. Não por acaso, carrega o título de Capital do Surfe no Estado de São Paulo. Aqui, o oceano não é apenas paisagem. Ele é presença, movimento, identidade e inspiração.
“Soul Surfer — Coragem de Viver” conversa diretamente com esse universo. O filme conta a história real da surfista Bethany Hamilton, que, depois de sofrer um acidente grave, precisa redescobrir sua relação com o mar, com o corpo e com a própria coragem. É uma história de superação, mas também de amor pelo oceano.
Assistir a esse filme antes de vir para Ubatuba pode despertar um olhar mais sensível para as praias da cidade. Mesmo para quem não surfa, há algo muito especial em observar o mar daqui. As ondas, os diferentes tons de azul e verde, a vegetação chegando perto da areia, os surfistas esperando a série certa, os barcos, as ilhas ao fundo, o nascer do sol em algumas praias, o fim de tarde em outras.
O mar de Ubatuba tem muitas personalidades. Em alguns lugares, é mais calmo e convidativo para um banho tranquilo. Em outros, é forte, esportivo, cheio de energia. Há praias para caminhar, para fotografar, para mergulhar, para contemplar, para remar, para surfar ou simplesmente para sentar e ficar em silêncio.
“Soul Surfer” inspira porque nos lembra que o mar ensina. Ensina paciência, respeito, persistência e entrega. Ninguém controla uma onda. Ninguém apressa a maré. Ninguém convence o céu a abrir antes da hora. Em Ubatuba, esse aprendizado aparece naturalmente. A cidade convida a adaptar o roteiro ao clima, a escolher a praia conforme o vento, a aceitar que a natureza tem seu próprio tempo.
E talvez essa seja uma das experiências mais valiosas de viajar para cá: lembrar que descanso também é entrega. É permitir que o dia seja guiado pela luz, pelo tempo, pela maré e pela vontade do corpo.
Para quem gosta de surfe, “Soul Surfer” pode ser o impulso perfeito para explorar praias ligadas a esse universo. Para quem não surfa, o filme ainda funciona como uma bela metáfora: sempre é possível reconstruir a relação com aquilo que nos move.
Depois do filme, a viagem
Esses três filmes falam de temas diferentes, mas todos apontam para a mesma direção: a necessidade de sair um pouco do lugar conhecido.
Walter Mitty inspira a romper com a rotina. “Diários de Motocicleta” convida a valorizar o caminho. “Soul Surfer” aproxima o olhar do mar e da força da natureza. Juntos, eles formam uma pequena sessão de cinema para quem está prestes a viajar — ou para quem precisa se lembrar de que uma viagem pode fazer muito mais do que preencher alguns dias livres.
Ubatuba é um destino perfeito para esse tipo de experiência. Aqui, a viagem pode ser leve, romântica, aventureira, contemplativa ou um pouco de tudo isso. Você pode passar o dia explorando praias e voltar para descansar. Pode caminhar pela orla, visitar o Projeto Tamar, sair para jantar a pé, tomar um café sem pressa, conversar sobre a próxima praia, ou simplesmente aproveitar o silêncio de um quarto confortável depois de um dia de sol e mar.
No Pouso Abaré, essa proposta ganha um ritmo especial. A pousada é exclusiva para adultos e foi pensada para quem busca tranquilidade, acolhimento e uma estadia mais calma em Ubatuba. Localizada no Itaguá, perto da orla, de restaurantes, cafés, lojas e passeios, ela permite viver a cidade com praticidade, mas sem abrir mão de uma atmosfera serena.
É o tipo de lugar para chegar depois da estrada, deixar a mala, respirar fundo e sentir que a viagem começou de verdade. Pela manhã, o café da manhã artesanal ajuda a preparar o dia. Ao longo da estadia, o atendimento próximo e as dicas locais ajudam a escolher experiências que combinam com cada viajante. E, no fim do dia, a pousada se torna esse ponto de retorno: confortável, acolhedor e tranquilo.
Talvez seja por isso que cinema e viagem combinem tanto. Os dois nos tiram temporariamente da rotina. Os dois ampliam o olhar. Os dois nos fazem imaginar outras possibilidades. Um bom filme pode plantar a vontade. Uma boa viagem pode transformar essa vontade em memória.
Então, antes de vir para Ubatuba, escolha um desses filmes, prepare a pipoca e deixe a imaginação fazer o primeiro trecho do caminho. Depois, quando a vontade apertar, talvez seja hora de transformar a cena em realidade.
Porque algumas histórias a gente assiste. Outras, a gente vive.
E Ubatuba está esperando para ser uma delas.